eu te comecei inteira, integra de todos os sentimentos – de todas as palavras cheias, de todas as conversas sem reticências, com linhas tortas, com letras trocadas, recusando diagnósticos, revisitando afeto, mentindo além do desejado, porém, no meio do processo me fui tirada de mim, e só restou o caco do espelho me refletindo pela metade. nem a madrasta que não refletia teve esse desprezo. falei muito por muito tempo, depois veio a escassez de história, de amor, de tesão e final mente, fiquei eu. mas a verdade que não era bom falar de mim, mas sim de doer. te comecei no desespero, buscando reconectar algo aqui dentro, em meio as feridas fui tentando arranhar a escrita, e por um tempo isso deu certo, não precisei mais me tatuar para saber que ainda tinha sangue correndo em mim. voltei para falar dos casamentos, dos desencontros, dos mais velhos, do espelho falante, sou teimosa insisto em tentar. hoje já tem outras dores, outras securas, mas como disse ao espelho, não cabe am...
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[ mastigar ]
Tem pedaços seus em mim, como aquelas tortas de chocolate em que as pessoas insistem em colocar nozes e, mesmo esmagando, ainda conseguimos sentir e morder — aquelas mordidas que doem até a carne do dente. Não é fácil, e muito menos tranquilo, deixar de amar alguém. É um tempo interminável que, para quem está de fora, parece durar dias — talvez algumas semanas — ou, dependendo do grau de afeto que essa pessoa tenha por quem sofre, apenas um tempo. Esse sentir — mastigar — dói. É aquele esforço a mais que pedem no trabalho e que, por mais gás que se tenha, não se consegue dar conta de concluir. É um amar amargo, passado, que não há como engolir. A dor de garganta chegou — claro, no momento mais apropriado: justamente quando preciso fazer as malas emocionais e desaparecer da sua vida. Não tenho semanas, como qualquer pessoa normal teria. Tenho segundos. Preciso evacuar a tua presença de mim — ou seria o contrário? Como se tira alguém que, de fato, nunca entrou, mas deixa a sensação...
Putarias- da moça virgem,
- enquanto ele reclama do trabalho, eu puxo a cadeira da sala dele pra perto de mim, e deixo as costas da cadeira no meu rosto, de pernas abertas, pés de bailarina, brincando com os dedos no ar, - a versão mais dengosa e depravada de uma Lolita qualquer... Ele coça a barba, reclama que pode ter alguém por ali, e eu lá, toda sorridente, com a luz do fim do dia nos meus olhos, mordendo delicadamente as pontas das minhas unhas, e ele mais uma vez sem jeito me pedindo a cadeira, Cansada de morde meus dedos, aliso um pedaço da saia, revelando as tais meias de renda compradas na pressa, claras feito o dia que fez hoje- do jeito que toda safadeza gosta. - preciso da minha cadeira, disse ele firme-bruto , e eu ali girando nela, e rindo com gosto, com a mente fervendo, com a perna quente, com a bunda esperançosa em receber uma boa surra- aquelas que menina-má e depravada recebe. Quase derretendo de tanto tesão – a cadeira ?! Questiono eu em um dos meus giros, - oras, venha, digo...

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