16.2.17

[ refrãos ]



em um canto alguns falavam de politica mais a frente a gente dividia a ultima garrafa gelada de cerveja, abre um pacote de cigarro, abraça aqui, beija ali, as conversas iam se misturando alterando o tom de coleguismo, nada de tapas, mas acidez estava entre nos, pensei que já estava vacinada que escutar teu nome e suas andanças com a nova garota não iria nem abalar minha forma de tragar o cigarro, ledo engano, lá estava engasgando mais uma vez com a tal tragada, as nossas ultimas conversas sempre monólogos foram rápidas, eu lhe entregando toda a minha paixão toda a minha sede, você me seca, mas me da sede, é uma incoerência que me coloca na corda bamba de circo falido que dá raiva, agora estou aqui organizando a malas pra correr pro carnaval e  construindo novos diálogos, novas vontades, aquele dia, ah seu tivesse enfiado a mão cheia na sua cara, talvez, só talvez estaria muito mais dona de mim por esses tempos, sua vagabunda, é vagabunda, dessas putas que se come algumas vezes por falta de opção, por que como dizem por aí, as vezes a gente gosta de comer coisa que não presta.

mas saiba, eu te quis.


Capitu. 

13.2.17

[ carta aberta ]


- quis por muito tempo resgatar sensações, sorrisos, abraços, cheiros, dizem que tem haver com meu signo teimoso que adora guardar o que já é gasto, mas vai além dessa teimosia era medo de conquistar novos cômodos, pois cômodos novos a gente não sabe andar, desculpa, eu não sei andar, to colocando muita gente nessas linhas, assim não falo sozinha, assim não parece que só eu estou empacada, quando é novo tropeço, fico sem jeito, peço desculpas, sou forasteira, no decorrer de mim conheci pessoas que quis carregar na pele, sabe quando você pega aquela caneta no meio da aula chata e fica se rabiscando, desejando ter idade pra torna tudo aquilo real, mas aí tem o banho quente e a tinta escorre no ralo, era isso, queria ter escrito nomes, planos, desejos, quebra pau imaginário, queria ter escrito cada detalhe, toda essa bagagem, toda essa andança tem acabado com meu folego, ando com elas em dia quente, sem água na reserva e vou indo e quando chego à esquina pareço àquelas pessoas que nunca fizeram uma caminhada, já rasguei diário, foto, fingi que não dei que não beijei, não mordi, conheci gente nova, o moço novo, a garota sorridente, tentei seduzir, sorrir, morde canto da boca, estou sem pratica, sem desejo, quero arde, beber pra esquecer, lembrar, comer, transar, quero tudo isso e não quero tudo isso, e quando não se tem firmeza o desespero toma conta e lá ia eu, resgatar mofos/ estou em re-construção, em obras, quebrada aqui, empoeirada ali, vazia ali onde ficava a cômoda nossa, esses dias esbarrei em mim no espelho, não tinha batom vermelho, não tinha furo no nariz, brinco grande, decote, boca apimentada, não tinha nada meu ali, isso aqui nem de longe é um tratado de paz, um novo contrato, chega de promessas, de resoluções, de listinha caseira, c h e  g a , meu corpo quer ação, quer canseira nova, boca mordida, minha pele quer rabisco novo, meus olhos querem novos borrões, essa sou eu me pegando de volta.


Capitu. 

[ a m a r g o s ]

Quando era pequena, lá em casa, todos me diziam como eu era boazinha.  Antes de decorar a tabuada, eu já tinha minhas responsabilidades. Até...